História

Creixomil, cujas origens se estendem pelo menos aos longínquos tempos dos romanos, como nos mostram alguns vestígios dessa era, disseminados pela freguesia e a própria história no-lo documenta, com factos e narrativas desmentíveis. Dentro destes últimos, enumera-se uma inscrição numa lápide (presente no Museu Martins Sarmento), uma antiga estrada, também conhecida por “caminho real” (que ligava Guimarães ao Porto e a Braga), e uma ponte em arcos de cantaria, falando-se igualmente numa suposta moeda romana que por aqui teria aparecido.

Outras pesquisas (da autoria do Padre Avelino J. da Costa) apontam para a existência da vila, ou de algo semelhante a um espaço latifundiário e terreno arroteado já relativamente organizados, por voltas do século VIII, aproximadamente um século antes do grande marco histórico de Creixomil, que foi o tão propalado documento de doação do ano de 926.

Já o notável historiador vimaranense João de Meira, dizia numa memorável conferência na Sociedade Martins Sarmento, o seguinte:

“Antes que Portugal fosse Portugal, antes que o Concelho de Guimarães fosse o término de Vimaranes, já Creixomil era Creiximir…”

(Rev. de Guimarães XXXVI vol. – Conferência inédita do historiador João de Meira)Assim é que Creixomil – Sancto Michaele de Creiximir – que aparece citada em documento transcrito no “Vimaranis Monumenta Historica” – Ramiro deu a Ermenegildo e Mumadona a 8 das kalendas de março de 964 a villa nominada Creiximir que est secus fantano selio território inter ambas aves… – e alguns anos mais tarde em 7 de Fevereiro de 997 da Era de Cristo, no próprio Testamento de Mumadona, sofreu a primeira devassa em 1220 e um pouco mais tarde já no reinado de Afonso II, em 1258, uma segunda.

Diz-nos então a história que no ano de 964, da era latina ou seja no de 926 da era cristã, o Rei Ramiro II de Leão, e pela Carta de Creiximir Quod Fecit Ranemirus Rex era dada a Mumadona a Quinta de Creiximir. Entretando o marido de Mumadona, D. Hemenegilde morre e como resultado das partilhas fica Mumadona com a Quinta de Creiximir e a sua filha Oneca com a Quinta de Guimarães.

No entanto, sendo intenção de Mumadona fundar um Convento, e verificando que a Quinta de Guimarães é melhor localizada para o efeito troca com a sua filha Oneca, ficando esta então com a Quinta de Creiximir. Na Quinta de Guimarães funda então a Condessa Mumadona o referido Convento, à volta do qual nasceu a povoação de Guimarães.

Aparecem aí umas terras, já perfeitamente delimitadas “villa nominata Crexemir”, mas qual a origem deste nome? Uma boa parte, para não dizer a maior parte das paróquias rurais tiveram origem nas propriedades, às vezes verdadeiros latifúndios de um determinado senhor. Esse senhor, dono das terras situadas entre Silvares, Candoso, Urgezes, do território entre as margens do Ave e do Vizela, chamava-se Crexemir ou Cristimiro.

O nome desse senhor passou à terra de que era possuidor; e estas ficaram então a chamar-se terras de Creximir, que veio a dar Creixomil. Esse senhor morava geralmente num lugar chamado Paço, onde o povo se dirigia com suas oferendas. Era portanto no actual lugar do Paço, que morava o dito Cristimiro que deu o nome à freguesia.

Historicamente falando, constatamos a riqueza documental que esta freguesia milenária comporta e como curiosidade recordamos alguns factos notáveis, que por si só, falam da importância que a mesma teve, nos primórdios da nossa nacionalidade. Vejamos:

  • No ano de 950 o “Mandamento de Candanoso” vai até ao “término de Creiximir”; No ano de 959 no testamento de Mumadona, consta a doação da “Villa de Creiximir” ao Convento de Guimarães que havia pertencido ao Rei Ramiro;
  • No ano de 1059 no inventário de D. Afonso V de Leão, consta a “Villa de Creiximir”; No ano de 1149 D. Afonso Henriques vende a Mendo Eriz e esposa Dórdia Reinaldo, uma “quintana em Creiximir” que confronta com Santiago de Candoso;
  • No ano de 1172 D. Afonso Henriques doa as vinhas de “Creiximir” ao prior Pedro Amarelo do cenóbio da Colegiada e em 1173 vendia uns campos em “Creiximir”.
  • No ano de 1216 – Pacto de composição entre o Arcebispo de Braga, D. Estevão Soares da Silva e a Colegiada de Guimarães, ficando “Sancti Michaelis de Creiximir” isenta da prestação do censo diocesano;
  • Nos anos de 1220 e 1258 e nas inquirições dos Reis Afonso II e Afonso III lá constam a “Ecclésia Sancti Michelis de Creiximir”.

Desde os tempos mais remotos CREIXOMIL foi sempre um marco sócio económico e cultural na Cidade e Concelho de Guimarães que, por as suas riquezas naturais, sendo muito afamadas e badaladas as suas VEIGAS que praticamente do seu cultivo em idos abasteciam a Cidade ou Villa, e dos seus moínhos que ao longo do Rio de Selho, donde era moído o milho e não só, enquanto nas suas margens eram criadas as célebres CUTELARIAS que ao longo dos tempos muita fama e proveito trouxeram à nossa região, não esquecendo as OLARIAS, onde nasceram a não menos famosa “CANTARINHA DOS NAMORADOS”.

Por ela passaram romanos, celtas e visigodos que deixaram tradições e património que chegaram aos nossos dias. A atestar a sua grandeza, basta atentar nas suas Casas Brazonadas, todas elas ligadas a factos históricos e lendas lindíssimas, aos seus monumentos e até aos seus belos recantos que abundam por toda a freguesia.

A famosa veiga de Creixomil terá um significado relevante não apenas a nível económico, mas principalmente a nível histórico, pois, e segundo alguns historiadores, como o conceituado José Hermano Saraiva, terá sido aqui que teve lugar a decisiva e emblemática Batalha de São Mamede – no Campo de S. Redenhas, correspondente á actual Veiga de Creixomil, junto ao Campo do Outeiro, a meia légua curta naquela direcção até ao Castelo.

 

`(VÍDEO) https://www.youtube.com/watch?v=iEvD2ppkkHw