Artesanato

Bordados, Olaria e Objectos em Madeira

 

Promovidos pela SARC – Salgueiral Associação Recreio e Cultura, os BORDADOS são uma forma de lazer desta colectividade que com o espírito de preservar e promover a continuidade desta arte tradicional. A mesma acabou por estender-se, em horário laboral e pós-laboral, como a formação de adultos. Os resultados dessa formação têm sido patenteados em Feiras de Artesanato, como as de Vila do Conde e de Guimarães.

 

ARTESANATO

 

 

Alguns objectos em madeira recriam utensílios agrícolas antigos e são uma forma de passar o tempo lembrando a nossa agricultura.

Esteve patente no Auditório da Sede de Junta, uma Exposição intitulada “As Memórias de Guimarães” de Rodrigo de Jesus Salgado Pinto. Esta exposição contou com a visita de vários Cidadãos e dos alunos das Instituições e Escolas da Freguesia.

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Artesanato intitulada “NATUREZA NA ARTE” de Rui Vieira –

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OLARIA

A olaria é uma das artes mais interessantes e de longa tradição nesta terra, sendo inegável o fascínio especial que exerce pelos testemunhos que nos chegam.

Esta actividade, essencialmente rústica e puramente artesanal, das mais típicas e características, tem séculos de existência, sendo um exemplo muito curioso de arte popular utilitária.

Deste modo, o forno de telha no campo de Covas, na freguesia de Creixomil, sustenta a ideia de que a indústria da olaria, em Guimarães, tem raízes que remontam a 1220.

Em documentos do século XVII foram localizadas oficinas de oleiros nos lugares do Montinho, Traz-Gaia, Madrôa. Também, ainda hoje subsiste o topónimo de Traz dos Oleiros. Mas o centro principal , aquele que parece haver sido a matriz da indústria, foi a Cruz de Pedra.

Lá encontraremos, na sua oficina primitiva, o oleiro vimaranense. Desta forma, ao referirmo-nos à arte da olaria, não podemos ignorar que esta ancestral indústria nasceu com a vila de Guimarães, sendo considerada como pátria de oleiros.

Ao determo-nos um instante junto do oleiro, colocado em frente da sua roda, ou torno, vemos emergir das suas mãos criadoras, de uma porção de barro bruto, formas rectilíneas ou mais sinuosas, que partem do informe para a imagem, na procura de um gosto muito peculiar da sua própria imaginação. Assim se molda a matéria desta arte popular, o barro simplesmente amassado até atingir o grau de flacidez desejável, operação que se consegue na masseira ao fim de algum tempo.

A operação da retirada da peça moldada é muito delicada e é feita com um fio de arame ou corda de viola, que se lança em golpe rápido entre o rodeiro do torno, onde apoiava, e a peça acabada, que depois tem de ser arrumada com muito tacto.

Seguidamente, em local próprio de espera ou repouso, aguardam as peças a sua introdução no forno comunitário ou individual, conforme era utilizado em comum por dois ou mais artífices, ou era de propriedade privada.

Este forno ao ar livre, de construção muito rudimentar, é aquecido de preferência com lenha de eucalipto, que dá melhor cor, segundo uma técnica própria, sendo o resultado de uma experiência que é, afinal, um dos segredos da arte. O cozimento tem fases, demora um dia e é, por vezes, interrompido para se obterem determinados efeitos. Posteriormente, seguem-se os efeitos, os acabamentos especiais, mais ou menos ricos, muito ao gosto amaneirado do nosso povo. A mica prateada das cantarinhas de Guimarães, é um exemplo de requintado tratamento e decoração.

 

Cantarinha das Prendas ou dos Namorados

 

Em barro vermelho, polvilhada de mica branca com motivos arcaicos saídos das olarias de Guimarães.

 

Significado Emblemático A Cantarinha maior significa a abundância perene que se deseja ao futuro casal, semeada de ilusões e esperanças rutilantes.

 

A Cantarinha menor, aquela que há-de encher a maior, despida de enfeites, significa a vida real, as incertezas do amanhã, o pão-nosso de cada dia, as mil e uma coisas que fazem a felicidade do lar, encimada pelo emblema da família, pelo amor de mãe que tudo sacrifica ao bem-estar da sua prole, enquanto o homem, ausente, labuta no amanho da terra que lhes dará o sustento.

 

Seu Uso

Quando um rapaz escolhia aquela que deveria ser a sua companheira fiel por toda a vida, e se dispunha a fazer o pedido oficial aos pais da «futura», primeiro oferecia à namorada uma Cantarinha das «Prendas». Se esta era aceite, estava feito o pedido particular e desde essa altura ficavam «comprometidos», dependendo apenas do consentimento dos pais o anunciar do «noivado».

Uma vez dado o consentimento dos pais e tendo estes chegado a um acordo quanto ao «dote», a Cantarinha servia então para guardar as «prendas» que o noivo e os pais da noiva ofereciam.

As «prendas» eram de ouro, como cordões, tranceletes, corações, cruzes, borboletas, estrelas, arrecadas, relicários, etc., tudo de harmonia com os contratos e haveres dos contratantes.

Este uso, já há muito foi posto de parte. Hoje só resta a tradição.